Profissão Repórter 29/08/2018

PROGRAMA ANTERIOR:

Profissão Repórter

Profissão Repórter fala sobre a cultura da violência divulgada nas redes sociais.
Cultura da violência é divulgada nas redes sociais e propagada por quem quer fazer justiça com as próprias mãos.
Profissão Repórter conta as histórias de jovens acusados de furtos e tráfico que viraram vítimas de justiceiros e de linchadores.
O Profissão Repórter retoma histórias de imagens que chocaram o país, como o garoto tatuado na testa após tentar furtar uma bicicleta e pessoas que são linchadas por pessoas quem tentam fazer justiça com as próprias mãos. Em 2014, Paulo Roberto Soares foi notícia em todo o Brasil. Aos 15 anos, ele já tinha sido apreendido diversas vezes por furtos na Zona Sul do Rio de Janeiro. Ainda com essa idade, ele foi vítima de justiceiros no Aterro do Flamengo, espancado e preso nu a um posto por uma tranca de bicicleta. Aos 19 anos, Paulo foi assassinado sem qualquer registro nos jornais. Antes de morrer, o jovem foi acolhido por projetos sociais e precisou ser transferido de abrigo por ser ameaçado de morte. Em 2015, educadores sociais relataram que Paulo Roberto estava ameaçado de morte por traficantes. Após tentar furtar uma bicicleta para comprar drogas, Ruan Rocha foi torturado e tatuado na testa com a frase: “Eu sou ladrão e vacilão”. Os homens gravaram tudo e espalharam pela internet. Depois de ser tatuado à força, Ruan passou nove meses internado em uma clínica de reabilitação para dependentes químicos no interior de São Paulo. Mas duas semanas depois de completar 18 anos, ele surpreendeu os funcionários e desapareceu da clínica. Ruan acabou sendo preso em flagrante por furto em um supermercado. A clínica pagou a fiança e o transferiu para uma unidade mais segura. Nessa clínica, ele faz sessões de laser para retirar a maquiagem e tenta se reabilitar. Em Manaus, notícias de pessoas que decidiram fazer justiça com as próprias mãos são comuns. São dezenas de casos novos de espancamentos de homens acusados de furto ou roubo. Nos últimos três anos, 56 pessoas morreram linchadas no Amazonas. Até agora, nenhum autor foi identificado e preso. O Amazonas é o estado com maior número proporcional de mortes por agressão por meio de uso da força física. Foram 88 mortes em 2016. A cultura da violência é alimentada também pelas redes sociais. Até policiais são administradores de grupos de WhatsApp em que se divulgam fotos e vídeos violentos. “No momento que alguém grita ‘pega ladrão´ quem aparece pela frente é visto como ladrão e é linchado. As pessoas não querem nem saber se ele realmente é ou não um ladrão. É uma coisa quase que irracional, barbárie realmente, é uma moralidade muito primitiva”, afirma o promotor Rogério Marques.
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